quinta-feira, 12 de abril de 2012

Amor e Aspirinas

Há palavras que são como calmantes para a alma. Pelo menos para a alma feminina que (sobre)vive em constante busca pela agulha no palheiro ou amor, como lhe quiserem chamar. O importante é encontrar "aquela" pessoa, mesmo que não saibamos minimamente o que procurar, mesmo que no fundo estejamos demasiado escondidas e encolhidas para sermos encontradas. 
E quando se encontra alguém que preenche os requisitos (porque hoje em dia até a paixão tem de se sujeitar a testes de compatibilidade) chama-se de amor, jura-se a eternidade e oferece-se a lua com um lacinho. E se as coisas não correm bem, porque quando o assunto é sentimentos o terreno é sempre instável e selvagem, cai-nos o mundo em cima e chove-nos pelos olhos. É que encontrar companhia para as noites frias de Dezembro e que ainda por cima nos chama de "minha querida", não é tarefa fácil.  Mas se tudo corre bem, mulher que é mulher desconfia. Já se sabe como é, os homens são todos uns patifes da pior espécie e se nos tratam como princesas é porque já fizeram alguma. É por culpa. Só pode. 
Por isso é que o amor, por mais que seja procurado e desejado, não vinga. Porque ou é visto como uma espécie de mito grego apenas destinado aos mais iluminados ou é descartado como um guardanapo usado, entre diálogos amargos e pratos voadores. 
E se tudo correr mal, toma-se uma aspirina e continua-se à procura.




quinta-feira, 8 de março de 2012

   Tens a alma presa por arames e arco-íris, paradoxos entrançados e fundidos com melancolia e sorrisos. És a antítese do terreno e desconfio que és feita de suspiros fugidios que se perderam de alguém. Tu, minha pequena flor-de-lis, és abstracta e imaterial – obra de arte virada do avesso, obra-prima do caos. Coração feito de ausências e paixões desmedidas, com janelas para o mundo porque corações fechados são corações que já morreram.
   Tu que amas com os olhos fechados e o peito aberto, utilizas o orgulho como redoma de vidro – protecção ilusória de quem se recusa a quebrar. Não quebras mas esfolas-te, arranhas os joelhos e os sonhos de todas as vezes que cais por te terem roubado as asas. Mas não cedes. És anjo caído, mas nunca vencido.
   És uma hipérbole com nuances de eufemismo - fragilidade em bruto, bailarina que dança à beira do abismo, amor platónico. És a perfeição alienada do mundo e eu não podia gostar mais de ti.
Matthew 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

 Dizes que eu sou toda coração e que é por isso que os meus joelhos se esfolam tão facilmente. Eu digo que não, que sou humana, terrena, pequenina. E tu ris, oh como ris, da minha ingenuidade e sussurras que eu me faço pequena para disfarçar a minha grandeza, para hiperbolizar a minha fragilidade e me esconder em ti. E eu vou acreditando.
 É fácil acreditar em ti, sabes? É fácil confiar nas tuas mãos que têm o tamanho do mundo e perder-me nos teus olhos sem fim. Perco-me sempre nos mundos que inventas só para mim, para eu nunca fugir para outra realidade diferente de ti. Como se eu alguma vez fosse capaz de abandonar a esperança que te corre nas veias, como se eu alguma vez deixasse o teu peito que me serve de abrigo em plena tempestade. Como se eu alguma vez pudesse abdicar do amor incondicional que me dás.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Acendes um cigarro e sorris-me em jeito de provocação. Não resistes em voltar mais uma vez, mesmo sabendo que voltarás a partir; e eu não resisto a deixar que voltes, mesmo sabendo que é temporário, que te limitas a alugar o meu coração, qual casa de praia à beira-mar. Habitas em mim para fugir à hipotermia sentimental que te sufocou o coração. E eu vou deixando, vou-me deixando seduzir pela esperança vã de que o meu estoicismo emocional seja como um estalo que acorde a tua alma. 
Mas tu apagas o cigarro e lembras-me de que não se pode acordar quem finge estar a dormir; relembras-me que não és vítima dos teus demónios, mas o teu próprio fantasma. E eu não te posso salvar, apenas te posso dar abrigo; não posso salvar quem não quer ser salvo. Apagas o cigarro e queimas-me as entranhas. Dou por mim perguntar-me se a tua partida irá doer tanto como a tua chegada -a tua proximidade magoa quase tanto como a tua ausência. 
Podes ficar o tempo que quiseres. Apenas te peço que quando saíres deixes as janelas abertas -  só para arejar os quartos do meu coração abandonado.

domingo, 13 de novembro de 2011

     Afogo-me na tua ausência, meu querido. Aprendi a (sobre)viver sem ti, mas quando me assaltas o pensamento e me recordo do que é ser essência em bruto, alma despojada e sem máscaras, é inevitável morrer um bocadinho. É inevitável morrer, ensinaste-me tu. Não se pode fugir da morte, portanto parei de fugir da vida. 
     Tenho tanto para te contar, tanto para te mostrar. Ainda tínhamos mundos infinitos para dar um ao outro, não tínhamos? Era fácil alienar-me do universo quando me perdia nesses teus olhos cor de mel que me faziam dar-te tudo o que não sabia dar a mais ninguém. Gosto muito de ti, dizias tu baixinho, que quem fala alto é porque não tem nada de importante a dizer. Gosto muito de ti, sussurravas tu, e eu acreditava. E eu acreditava em tudo o que me dizias, em tudo o que os teus olhos me gritavam no silêncio das horas. 
     Fazes-me falta, é só isso. Fazes-me falta, especialmente agora que faz tanto frio e é inevitável chover dentro de mim. É que, sabes, eu vou sempre gostar de ti, e se eu pudesse voltar a dizer-to, dizia muito baixinho enquanto te abraçava os sonhos que deixaste por realizar, só para tu teres a certeza de que isto é realmente importante. Só para tu nunca te esqueceres que nós somos verdadeiramente especiais. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Hoje estou cansada e, por isso, podes ficar. Só por hoje deixemo-nos de jogos mentais, ilusões cuidadosamente plantadas e de montanhas-russas emocionais. Hoje estou cansada, não precisas de me seduzir; fica apenas comigo e faz-me esquecer o turbilhão de sentimentos contraditórios que me consome. Larguemos as máscaras, meu querido. Larguemos as máscaras que de heróis temos pouco e a carne é fraca. Oh como é fraca a carne que desejamos tão desesperadamente – o meu corpo no teu, a tua vida em mim. Deixa-me ser fraca, só hoje que estou cansada e não me apetece fugir dos teus lábios. Deixa-me ser humana, sair do pedestal e refugiar-me nesse teu corpo que é quase meu.
Hoje estou cansada, cansada de fingir que não te quero, que não te desejo, que não te amo. Hoje ficamos juntos e eu amanhã prometo que volto a fingir que não quero saber.