sexta-feira, 17 de julho de 2009

Caixinha de Recordações

Abro a caixinha onde guardo as nossas recordações e os nossos sonhos. Abro, remexo e sinto. Perco-me naquele mundo, onde tudo era doce, o nosso mundo. Onde reinava a nossa amizade e os nossos sorrisos. Foi naquele mundo que eu cresci. Crescemos juntas, aprendemos juntas. Sou invadida por umas saudades avassaladoras, e procuro o meu telemóvel na confusão que é o meu quarto (de certa maneira é parecido ao meu coração). Ligo-te, não atendes. Deixo mensagem, mas não em alongo muito. Falo da caixinha, das saudades e do quanto gosto de ti. Também largo algumas recoradações nas entrelinhas, e desligo com a certeza de que me vais entender. Sempre fomos parecidas, deve ser por termos crescido juntas, talvez seja por isso que vemos o mundo de uma forma semelhante. E provavelmente é por isso que por mais vezes que nos afastemos, acabamos sempre por nos aproximar. Arrumo a caixinha, no meu quarto mais do que desarrumado e desordenado (tal como a minha vida, sem ti) e saio para rua. Sei exactamente onde te encontrar, sei sempre. Há impulsos que não se deve conter, e este é um deles, preciso de um abraço. Não de um qualquer, um abraço teu.
Até já

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Love you/ Just stay

«(...) Never thought not having you here now would hurt so much.Tonight I've fallen and I can't get up, I need your loving hands to come and pick me up and every night I miss you (...)»
E se depois de tudo eu te disser que te desculpo e que quero que voltes. Voltas? Deixas-me voltar? Só quero que seja como antes. Afinal eu gosto muito de ti, e sei que também gostas muito de mim. Acho que se chama de amor incondicional. E também acho que os laços que temos não se quebram, mesmo com as constantes discussões e desilusões. Até porque eu ainda sou só uma menina, e toda a gente sabe que as meninas precisam de uma mãe. E nisto eu não sou diferente, preciso de ti. E quero que voltes, ou então deixa-me voltar. Porque desta vez fui eu que parti, mas não te vou pedir desculpa por isso. Sabes que também não foi fácil para mim, provavelmente até foi mais difícil do aquilo que foi para ti. Como é que se diz a alguém que se ama tanto que se vai embora? Não sei como disse, e nem sei se disse. Talvez tenhas lido nos meus olhos, sempre conseguiste ver o que me vai na alma. E é tão bom. Não sei como me magoaste tanto, mas hoje quero dizer-te que te desculpo. Hoje, quero que voltes, ou então volto eu. Quero que me pegues ao colo e que digas que sentes tanto a minha falta como eu sinto a tua. Não vou ligar, nem deixar mensagem. As mães sabem sempre quando as filhas precisam delas, e eu preciso de ti.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ruas e Ruelas

Percorro ruas e ruelas, que outrora foram nossas. Restos do que fomos estão por todo o lado. Sorrisos e abraços, estão agora espalhados e perdidos pelo chão. Não consigo evitar, e recolho-os delicadamente. Memórias tuas. Minhas. Nossas. Estão cravadas nas paredes. As paredes, meu amor, essas que albergam tudo o que fomos, tudo o que tivemos, desgastam-se a cada dia que passa. Ruas e ruelas que foram nossas, noutros tempos, encontram-se agora desertas e sem vida. Apenas memórias, pequenos restos do (nosso) passado, do nosso amor, permanecem. Já que nós não permanecemos, nem nas (nossas) ruas e ruelas, nem juntos. Vou recolhendo todas as memórias que as paredes não conseguiram segurar, e que por isso se encontram no chão. Guardo-as a todas. Pequenos fragmentos daquilo que um dia foi o nosso Império. Império que não se construiu num dia, mas que caiu em segundos. Olho para uma parede, e vislumbro uma memória minha, aquela que mostra a primeira vez que te vi. Memória essa que eu já há muito tinha esquecido. Passavas naquelas ruas, foi lá que eu te encontrei. Na ruas que nesse tempo ainda não tinham sido nossas. Sorri. Estava a percorrer aquelas ruelas, becos sem saída, ruas esquecidas, à procura de algo que nem eu sabia o quê, algo desconhecido que me levava lá, na esperança de encontrar alguma coisa. Não te enganes meu amor, que não procurava por ti. Procurava por nós, por aquilo que foste, por aquilo que me fazias ser e sentir. Agora já podia ir embora. Já sabia como é que me queria recordar de ti, queria recordar-te como aquele rapaz que encontrei num fim de tarde, numas ruas, que naquele tempo me eram desconhecidas, ruas que agora me eram tão familiares. Então parti, parti com as memórias que estavam caídas, agora guardadas na minha mala. Não me procures mais, agora és uma lembrança que eu deixei nas ruas de outros tempos, de outras (an)danças. Brevemente ruas que foram nossas serão de outros amantes, talvez com um final mais feliz. E tu bem sabes como eu gosto de finais felizes. Adeus meu amor, agora que já sei como me quero lembrar de ti, vou à procura do meu final feliz.
E assim naquele fim de tarde, uma rapariga mais leve e feliz, saía de ruas vazias e de paredes desgastadas com uma mala cheia, carregada de memórias. A mala ia cheia, mas leve. Leve e doce, tal como tinham sido os momentos passados naquelas ruas, agora abandonadas.