sexta-feira, 27 de março de 2009

Wish


Sussurro à noite para me tirar a dor, imploro ao vento para me levar e me deixar voar, choro junto ao mar ao ver cada onda rebentar na areia e pergunto-lhe se posso ser uma delas apenas uma vez, apenas um momento e terei felicidade eterna, deixo-me ficar nos prados verdejantes e consigo escutar a terra mudar, corro atrás das borboletas para as ver voar, fico horas intermináveis a observar as flores e as árvores e a pensar naquela beleza que tem tanto de éfemera como de eterna, a ti tudo o que posso pedir é que me estendas a tua mão e no fim provavelmente já pedi demais.

Life in a blast

Tudo tem um fim, tudo acaba um dia. Normalmente são as melhores pessoas que vão primeiro e é nesses momentos que se entende a fragilidade de uma vida, tudo muda com um sopro. Fechamos os olhos e perdemos a força para os voltar a abrir, e de repente tudo acabou, já não se volta mais, como um pássaro que voa para longe e não consegue voltar, como um sopro de vento que tudo consegue levar.

The End

E ali estava eu mais uma vez perdida no meio dos meus pensamentos, sonhos, ilusões e desilusões. Era um daqueles momentos em que tinha consciência que um «sim» ou um «não» tinham o poder de mudar a minha vida, todos os meus planos. Era rídiculo e assustador toda a minha vida poder mudar assim, mas podia. Eu precisava de ti mais do que tudo, eras o meu alicerce, o meu pilar. Eu não devia depender tanto de ti mas dependia. A tua ausência corrompia-me, a dor consumia-me, eu gritava mas ninguém me ouvia. Ainda hoje não sei se me ouves e essa dúvida ainda dói, não daquela maneira aguda e inconsciente mas dói. Dói saber que te dei tudo o que tinha e não foi suficiente e dói mais que tudo saber que para ti sou praticamente indiferente. Mas naquele momento eu não sabia que ia ser assim, eu sonhava com um «sim», mas foi uma desilusão, eu tive a certeza que ia ser assim quando no meio da minha apatia senti um arrepio frio, aí não duvidei que a resposta ia ser «não». Agora, depois deste tempo ainda penso no que podíamos ter sido, no que podíamos ter vivido e nos sonhos que podíamos ter partilhado. Podíamos ter sido muito, mas não fomos, e eu não posso viver agarrada a um «se..», lamento mas não consigo por isso não me digas para ficar deixa-me ir juntamente com o vento e o mar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Maybe just a dream


Olhaste-me uma vez mais com aquele olhar tão teu. Julguei que seria a última vez que me olhavas, percorrias a minha a cara, o meu corpo a minha mente, com esses teus olhos grandes e profundos. Era como se fosse um livro aberto, naquele momento não existia nada que eu pudesse ocultar, estava completamente exposta e mais fascinada que nunca. Olhava para ti com os olhos arregalados, esperando uma reacção, tentava analisar-te como estavas a fazer comigo, mas nada. Apenas via os teus olhos a olharem para mim, o teu corpo direito mas relaxado, as tuas mãos levemente pousadas ao lado do tronco. Fiquei fascinada uma vez mais. Confesso que a tua perfeição sempre me assustou tanto como me fascinou, para mim eras como um sonho, bom demais para ser real. De repente os meus olhos fecharam-se, por um instante vi que desaparecias no ar, te misturavas com o céu e que já não existias mais. Uma lágrima rebelde teimou em sair. Ouvi a tua voz doce a sussurrar:'Não chores, isso não por favor. Fiz alguma coisa de errado?' Sorri inconscientemente. Estavas ali. Não tinhas desaparecido, era mais do que eu podia esperar ou pedir. A voz faltou-me, não respondi, fiquei-me pelo sorriso. Mas para ti não foi suficiente. Aproximaste-te, conseguia sentir o teu coração a bater, o meu fazia um barulho monstruoso. Corei. Era assim que ficava sempre que te aproximavas. Aproximaste-te mais, esqueci-me de respirar. Agarraste a minha mão de uma forma tão suave como segura. Senti-me a desfalecer. Disseste com aquele sorriso de que gosto tanto :' Respira, por favor. És impossível Margarida.' Sorri, uma vez mais não tinha voz, mas consegui respirar. Olhaste bem para o fundo dos meus olhos, e perguntaste:'O que é que eu fiz? Prometi proteger-te e nunca te magoar ou fazer chorar. E já falhei.Estavas aqui comigo e permiti que chorasses.' Na tua voz havia desilusão, era uma coisa a que não estava habituada. Por isso ganhei coragem, reuni todas as forças que tinha e respondi: 'A culpa não é tua. Nunca será, és perfeito. Mas..Mas eu tenho medo.' Vi confusão nos teus olhos, quando me perguntaste de que tinha medo, não consegui evitar dizer que o meu maior medo era acordar, e saber que não eras real. Corei, não acreditei que tinha dito aquilo. Agarraste-me com mais força, mais uma vez olhaste-me nos olhos e eu não consegui evitar baixar o olhar. Disseste:' Um sonho? Todos os dias me questiono, o que fiz para ter uma pessoa como tu na minha vida. Como é possível conhecer a mais perfeita das pessoas? E tu é que tens medo de acordar?' Por momentos achei que ia desmaiar, o teu perfume, o teu coração, a tua voz, as tuas mãos.. Já não estava em mim. Reuni todas as forças que tinha, uma vez mais, e sei que muitas delas fui buscar a ti e consegui embora numa voz ténue e fraca dizer:' Queres falar de perfeição? Meu Deus, isto é o tipo de coisa que só acontece nos sonhos. Nunca tive ninguém assim como tu. És a melhor coisa que me aconteceu, e tenho medo de te perder. Tenho medo, que um dia consigas ver que és muito melhor que eu, e que desapareças numa mancha de fumo ou numa bola de sabão.' 'Esse dia nunca vais chegar. Eu amo-te, amo-te mesmo. Preciso de ti mais do que tudo, Margarida, nunca duvides daquilo que és. Mereces o céu rapariga' disseste tu numa voz calma e confiante, mas eu conhecia-te suficientemente bem para ver insegurança nos teus olhos. Ganhei coragem e aproximei-me mais, cheguei perto do teu ouvido e sussurrei:' Eu amo-te. Mereço o céu? Desde que estejas comigo eu estou no céu.' Sorriste e eu sorri também. Metes-te a minha cabeça no teu peito e colocaste os teus braços à minha volta. Disseste sorridente:' Não te esqueças de respirar'. Dei uma gargalhada e prometi que tal não aconteceria. Ficamos assim. É assim que me lembro de ti, mas o inevitável aconteceu: Acordei. Mas não fiquei desiludida, eu ia voltar a dormir e a sonhar contigo. Nos meus sonhos apareces sempre. E onde os meus sonhos existirem, eu existirei dentro deles. Talvez um dia não seja um sonho, mas não será tão perfeito, ali tudo é possível, ali tu és meu e eu sou tua. E é assim que os sonhos devem ser.

domingo, 15 de março de 2009

An extraordinary girl in an ordinary world


Ela era uma menina, uma menina normal. Sonhava com a liberdade, com o amor e com a amizade verdadeira. Ela lutava pelo que acreditava, nem sempre era fácil, ela chorava. Ela queria mudar o mundo, pobre tonta sonhadora. Ela era boa, fazia o que era certo, não era perfeita, mas também ninguém o é. Como em todas as batalhas há sempre pelo menos um adversário, não necessariamente mau, apenas com pontos de vista diferentes. Ela sabia disso, ela amava os adversários, ela sabia que eles no fundo mais do que adversários eram amigos. Mas era firme ela queria ter o que merecia e nem era muito, ela lutava diariamente, todos os dias ela aprendia uma coisa nova. Mas tinha cada vez mais cicatrizes e buracos das batalhas travadas, mas ela lutava, oh como era corajosa a pobre a sonhadora, deixava sempre o mundo um bocadinho melhor do que o encontrava. Mas ela não era de ferro, ela sofria, ela chorava, ela vivia, ela amava e lia poesia, e sem ele ela não vivia apenas existia. Mas como nunca desistia ela continuava a lutar e a chorar. Um dia ela não aguentou mais e chorou, chorou ate não conseguir mais chorar até não haverem mais lágrimas para chorar, gritou até perder a voz, olhou para o espelho e viu a sua cara delicada e jovem marcada pelo sofrimento, olhou para o seu peito e reparou que praticamente não existia tinha demasiados buracos, então a menina chorou, chorou uma vez mais, de ódio, de raiva e de desilusão por ter dado a vida numa batalha em troca de nada. Então desistiu, deitou-se no escuro no meio das lágrimas, das recordações e da dor, ficou apenas com ódio e desilusão, aquela não era ela, aquela era o que a vida tinha feito dela, e ficou ali sem sentir nada, apenas esperando a dor, que ela sabia que viria, já não tinha forças para lutar. Mas a dor não veio. Em vez disso veio a morte, ela era uma guerreira, e uma guerreira só pára de lutar quando morre, quando já não aguenta mais, e foi isso que aconteceu, a menina morreu. Morreu afogada em lágrimas de desespero e sofrimento, agarrada a momentos de glória, esburacada pela vida, mas apesar de tudo ela morreu como uma vencedora, ela lutou, ela sofreu e morreu, mas lutou. E isso é o que os vencedores fazem, mas ela era apenas uma criança inocente, uma criança com o seu olhar, uma criança que não aguentou mais, uma criança como eu.

23.02.2009

What I am

O que eu sou ou quem sou, pode não estar ainda inteiramente definido. Não está e eu sei disso. Mas tenho a minha personalidade. Sou o que sou. Já tentei mudar, até vezes demais suponho eu. Mudei por quem não devia e mudei por quem julguei que merecia, nem sempre as mudanças foram boas, não de todo. Hoje, cansei-me de tentar mudar, aprendi que mudar, mudamos sempre e que as melhores mudanças são as que fazemos inconscientemente, são aquelas que as circunstâncias da vida nos obrigaram a fazer essas são as verdadeiras mudanças. Sobre a minha personalidade, é minha. Não é perfeita, está longe disso. Mas sinceramente não a imagino de outra forma. Não seria minha. Sou espontânea e genuína, não consigo fazer esquemas nem planear as coisas, faço o que no momento me surgir. Detesto a hipocrisia, o cinismo e a mentira, acho que são completamente desnecessários. Se já menti? Já. Não me orgulho, arrependi-me, caí e ergui-me. Hoje penso de forma diferente. Tenho consciência que quando menti a maioria das vezes foi para não magoar alguém, mas isso não invalida o meu erro. Já me fartei de me preocupar com o que os outros pensam, se tentarmos agradar a todos nunca seremos nós próprios, além disso, nem mesmo eu me conheço profundamente, sei que há sentimentos que nunca senti, existem experiências pelas quais nunca passei, e tenho a certeza que dentro de mim existe uma força que não conheço inteiramente mas quando eu precisar vai surgir. Já fui ignorada mas também já fui escutada e mal interpretada, as palavras são suficientemente imperfeitas para cada um construir o seu mundo e a sua realidade completamente independentes do outro através das mesmas palavras,sei que na altura sofri com isso, questionei me se não seria melhor ser ignorada, não ser ouvida. Hoje sei que não. Posso ter sido mal interpretada, mas fiz-me ouvir, expressei-me. Essa é a minha missão viver, e deixar o mundo um bocadinho melhor do que o encontrei. Já tive vontade de chorar até desaparecer e já julguei que ia morrer afogada nas minhas próprias lágrimas. Mas sei que o pior mesmo era não sentir, antes chorar e dar gargalhadas, do que viver sempre satisfeita e acomodada. Não, isso não é vida para mim. Eu preciso de lutar de ter objectivos, tenho necessidade de viver intensamente. Sou super sensível e emotiva. Sou capaz de chorar a ouvir um desconhecido desabafar ou a ouvir música. Rir é completamente indispensável, sou feliz e basta. Já passei por momentos difíceis, não faz de mim uma coitada ou uma infeliz, antes pelo contrário, ajudou-me a crescer e a dar valor ao que tinha, mostrou-me todos os motivos que tinha para sorrir era muito superiores aos que tinha para chorar. Chorar não tem de ser tristeza e para mim não representa nenhuma fraqueza, mas sim a coragem de assumir um sentimento. Hoje nem que seja apenas por hoje, eu consigo olhar para o passado e reflectir, agarrar nas memórias e sorrir, ser livre e não ter medo de lutar, enfrento o hoje com um sorriso e com os olhos de uma criança pronta para aprender algo novo. E sei que vou conseguir enfrentar o amanhã junto de quem amo, com os erros sempre presentes para não os voltar a cometer e me lembrar do que me fizeram aprender, mas acima de tudo, eu sei que foram eles que me ajudaram a erguer.